Sindec: 94 anos de união e lutas
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

Mesmo com a ampliação na semana passada do Plano Brasil Maior, programa do governo federal para estimular a atividade industrial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua estimativa de crescimento do setor em 2012, projetando mais um ano minguado. Além disso, colocou em xeque a estimativa do governo de expansão de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), alegando que a atividade da economia só é robusta quando a indústria de transformação está em ascensão. E o cenário é exatamente o oposto agora.
Para a CNI, o crescimento da indústria neste ano será de 2%, um pouco acima da taxa de 1,6% vista no ano passado, mas menor do que a projeção anterior de 2,3%, apresentada no final de 2011. O gerente de políticas econômicas da entidade, Flávio Castelo Branco, ressaltou que o Plano Brasil Maior é importante para a indústria, mas não é suficiente.
Os efeitos práticos de medidas como desoneração da folha de pagamentos só serão sentidos, de acordo com ele, no segundo semestre do ano e, até lá, a indústria precisa se recuperar da queda da produção vista no primeiro bimestre do ano. "O pacote não tem efeito para trás", salientou. A desoneração da folha de pagamentos é imediata, mas a obtenção de créditos só vale a partir de agosto e o regime automotivo apenas entra em vigor em 2013.
Além disso, a CNI avaliou que o pacote foi focado apenas em questões conjunturais, enquanto o problema do setor é estrutural. "Trata-se de um conjunto de medidas emergenciais e necessárias para enfrentar o ambiente hostil produzido pela crise mundial", destacaram os técnicos da entidade.
A CNI ressaltou, porém, que seria preciso que o Plano entrasse em "sintonia" com uma estratégia de longo prazo para ter mais efeitos. "É necessário construir simultaneamente mecanismos de resposta ao desafio da inserção competitiva da indústria no mercado mundial, que exige ações amplas e estruturais."
Pelos cálculos da Confederação, a expansão da economia brasileira será de 3%, distante, portanto, da projeção do Ministério da Fazenda, de crescimento de 4,5%. Levantamento da entidade revela que a expansão geral da atividade brasileira só é robusta quando a indústria de transformação dispara acima do PIB. Foi assim em 2000, 2004 e 2010. E a projeção da CNI é de expansão de apenas 1,5% para o segmento este ano. "A indústria da transformação dita o ciclo da economia", disse Castelo Branco.
A avaliação é a de que a indústria de transformação não vem absorvendo o aumento do consumo das famílias. Isso porque é o segmento que mais se depara com a concorrência de produtos estrangeiros, mais baratos. "Esta é a indústria que mais sente a competição internacional", disse o gerente de políticas econômicas. "E o consumo das famílias, apesar de crescente, não alavanca a indústria da transformação, pois as importações continuam fortes", acrescentou.
A entidade reduziu também suas estimativas para a inflação e os juros para o fim do ano. O IPCA encerrará 2012 em 5%, estimativa inferior à previsão do final de 2011, de uma taxa de 5,2%. Se confirmada, a variação ficará acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%, porém inferior ao resultado visto em 2011, de 6,5%, exatamente no teto da meta de inflação. Para os juros, a CNI estima a Selic em 9% ao ano no final de 2012. Em passado, a projeção era de que a taxa básica de juros ficasse em 10% ao ano.
Fonte: Jornal do Comércio
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