Sindec: 94 anos de união e lutas
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

É o que indica pesquisa com mais de mil profissionais brasileiros realizada pela consultoria de seleção de executivos e profissionais especializados StautRH.
O levantamento mostrou que 38% dos profissionais receberam reajustes salariais para não mudar de emprego em 2011. Em 2010, isso ocorreu com 30% dos pesquisados, ou seja, houve crescimento de 27%. Além disso, o número de profissionais que foram promovidos para não deixar a empresa aumentou de 29% (2010) para 34% (2011) – alta de 17% de um ano para outro. Já a parcela de funcionários que decidiu ficar na empresa por conta do oferecimento de treinamento ou algum tipo de capacitação profissional se manteve estável em 47%.
Em 2010 havíamos observado um mercado de trabalho extremamente aquecido, fruto da retomada da economia no Brasil e de uma demanda reprimida do ano anterior devido à crise de 2008 e 2009. Muitos profissionais se movimentaram, trocando seus empregos por outros com melhores salários e cargos de maior responsabilidade. As empresas, por sua vez, se deram conta disso e reagiram em 2011 promovendo seus melhores talentos e reajustando seus salários", explica Luiz Alencar, sócio executivo da StautRH e coordenador da pesquisa.
Segundo Alencar, esse esforço para reter profissionais se passa, sobretudo, no caso de executivos (com salários acima de R$ 10 mil), mas também é visto em cargos não gerenciais de alguns setores. "Isso está acontecendo com especialistas – analistas financeiros, engenheiros, coordenadores e supervisores de setores – que ganham a partir de R$ 5 mil", diz.
Renan Sinachi, consultor da Leme Consultoria de RH, confirma que muitos profissionais têm desistido de processos seletivos após contrapropostas salariais da companhia onde trabalham. "Isso ocorre em cargos gerenciais no setor de petróleo e gás. Mas também nos segmentos de tecnologia da informação, desde o cargo básico de programador até gerente de TI, e também na construção civil, do pedreiro ao engenheiro", afirma. Sinachi acredita que o desaquecimento da economia este ano deve reduzir a disputa por trabalhadores. "No segundo semestre, prevemos que as empresas terão mais facilidade de encontrar bons profissionais."
Paulo Teixeira, consultor da StautRH, viu na prática a dificuldade em contratar. Um dos finalistas de um processo seletivo recentemente avisou que havia desistido da vaga. "A empresa, ao perceber que vários de seus profissionais participavam de processos seletivos, convocou um a um e ofereceu ajustes funcionais e salariais na ordem de 20% para cada um deles, desencorajando-os a seguirem nos processos seletivos."
Já Leandro Barbosa recebeu aumento para continuar como diretor de arte da agência publicitária em que trabalha. "No meu setor, há muita rotatividade e é normal receber propostas de outras agências. Mas não foi só o aumento que me segurou. Não adiantaria só isso, se o clima no trabalho não fosse bom", conta.
É o que lembra a psicóloga Júlia Ramalho Pinto, que atua como coach (orientadora profissional): "Aumentar salário não é garantia de que vai reter o profissional. Isso é importante apenas para que não crie insatisfação, mas jamais vai criar motivação", diz. Ela afirma que o que motiva o funcionário é reconhecimento, plano de carreira, bom ambiente e relacionamento com o chefe. "Sem isso, o salário só vai funcionar por um tempo e logo o empregado voltará a fica desmotivado."
Fonte: Jornal da Tarde
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

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Acordo assegura aumento acima da inflação e amplia direitos da categoria.