Sindec: 94 anos de união e lutas
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

Você pode não ter notado, mas a economia brasileira já está rodando num ritmo superior a 4% ao ano neste 2.º semestre. Vários indicadores antecedentes apontam para a retomada: consumo de energia, geração de empregos, confiança empresarial. São indicadores ainda preliminares, mas que junto com outros sinais nos permitem corroborar a visão da retomada, como, aliás, havia antecipado neste espaço (O crescimento vem aí, prepare-se!, 30/7/2012). Embora haja uma forte tendência de olhar o espelho retrovisor, há uma defasagem entre o que está ocorrendo e a divulgação dos resultados oficiais.
O PIB referente ao 3.º trimestre deste ano, por exemplo, cujos dados preliminares apontam para um crescimento de cerca de 1,4%, comparativamente ao trimestre anterior, só será divulgado em dezembro, quando, enfim, ganhará destaque na mídia e a atenção das pessoas. A questão é que as decisões não podem esperar. Elas têm de ser tomadas com base na percepção, para se antecipar aos fatos.
Isso vale tanto para os decisores de política econômica, no âmbito do governo, quanto para os investimentos e demais fatores empresariais, no setor privado. Neste ponto, destaque-se que o Banco Central foi bem-sucedido ao capturar há pouco mais de um ano os impactos do quadro internacional e decidir por uma bem-sucedida queda nos juros básicos. O resultado é que convivemos hoje com uma taxa de juros real abaixo de 2% ao ano, um fato inédito. Isso tem fortes impactos positivos na economia, a começar pela queda no custo de financiamento da dívida pública.
Mas há outros impactos sobre os investimentos. A queda do custo de oportunidade tende a fomentar as decisões de projetos, inclusive as dos gestores de fundos de investimentos, que são mais estimulados a diversificar parte do seu portfólio de aplicações em atividades produtivas e de infraestrutura, com efeitos positivos sobre o mercado de capitais, participações em empresas e projetos de financiamento, envolvendo, entre outros, a construção civil e outros projetos de investimentos.
O fato é que houve outras medidas de política econômica favoráveis ao desempenho do setor produtivo, envolvendo o ajuste cambial, desonerações tributárias e financiamento a juros mais condizentes com os níveis de rentabilidade esperada de projetos. Apesar das incertezas no quadro externo, há grandes chances de o desempenho do Brasil ser bem melhor em 2013. Mesmo porque a base de comparação é baixa, já que o desempenho médio da economia em 2012 - muito em razão do 1.º trimestre, muito fraco - será pífio.
Vencido o primeiro desafio da retomada do crescimento, mesmo em condições internacionais ainda adversas, a próxima etapa é garantir as condições para a sustentabilidade. Isso porque não basta crescermos episodicamente nem tampouco a qualquer custo. É muito importante consolidarmos o quadro de estabilidade macroeconômica com crescimento continuado e melhora na distribuição de renda e qualidade de vida dos cidadãos. Daí a importância de criar um ambiente favorável aos investimentos em infraestrutura e produção.
É a forma mais segura de garantir expansão da oferta acima da demanda, evitando gargalos para o crescimento e pressões inflacionárias. O Brasil, nesse ponto, conta com um grande trunfo, que é o seu mercado interno. Poucas empresas podem se dar ao luxo de não atuar localmente, e os ingressos de novos investimentos externos na produção têm denotado essa preferência.
É fundamental acelerar os investimentos públicos, assim como construir um aparato regulatório que possa estimular investimentos privados em infraestrutura e logística. Outro elemento crucial é a melhora dos fatores de competitividade sistêmica, especialmente nos aspectos tributário, burocracia, custo do capital, etc., de forma a ampliar a capacidade de as empresas brasileiras fazerem frente aos produtos importados e, ao mesmo tempo, ganharem espaços na exportação.
Fonte: Estadão
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