Inflação de verão na Grande Porto Alegre aumenta no ritmo do calor
por Gabriella Oliveira | Média de preços de produtos ligados à estação mais quente sobe acima do IPCA no mês passado.
Não é só na pele que o calorão das últimas semanas tem causado incômodo. O aumento da temperatura, com sensação térmica por volta dos 40 graus praticamente todos os dias, também traz desconforto ao bolso.
Água mineral e refrigerantes vendidos em bares e restaurantes na Grande Porto Alegre subiram 6,51% em janeiro. Cerveja e sucos consumidos na rua avançaram acima de 3%.
A pedido de Zero Hora, a Fundação Getulio Vargas (FGV) realizou levantamento de preços de produtos procurados durante a estação mais quente do ano. A inflação de verão chegou a 0,67% no mês passado, acima dos 0,53% apurados no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a Região Metropolitana, que leva em conta uma variedade maior de produtos. Em 12 meses, a alta dos produtos da estação do calor alcança 7%, acima da inflação na Grande Porto Alegre, que em 2013 ficou em 5,79%.
Para quem gosta de aproveitar os dias mais longos do verão para encontrar amigos no final da tarde, o impacto no orçamento é mais intenso do que a compra de produto semelhante em supermercado. O preço de sanduíches fora de casa, por exemplo, subiu 1,82% em janeiro, e o do suco de fruta aumentou 4,11%. A alta é esperada nesta época do ano, quando a procura por esses produtos costuma ficar maior. Chama atenção, no entanto, a intensidade.
— O custo da alimentação fora de casa avançando em um ritmo diferente do valor dos alimentos comprados no supermercado indica que o aumento não ocorreu nas fábricas, mas no comércio. Diferente de frutas, verduras e outros alimentos de estação, o preço não cai. Deixa de subir, mas não volta ao patamar anterior — explica Marcio Fernando Mendes da Silva, coordenador do escritório da FGV em Porto Alegre, responsável pelo levantamento.
Sem outra opção para se refrescar, o mecânico Lucas Couto, 34 anos, que almoçava com o filho Matheus, 11 anos, em um restaurante do bairro Menino Deus, conta que percebeu a alta: a garrafinha de água mineral que antes custava R$ 2 agora é R$ 2,50.
— O aumento parece pequeno, só R$ 0,50. Mas é 25% a mais do que eu pagava antes — lamenta.
O eletricista Valter Lopes, de 31 anos, que aproveitava o horário de almoço para tomar uma cerveja e se refrescar do calor no bairro Cidade Baixa também reclama do preço que paga. Cerveja e chopp fora de casa ficou 3,13% mais caro no mês passado.
— Com esse calor, não tem outra opção. É preciso se hidratar — brinca.
O comerciante César Tasca, dono de uma casa de lanches no mesmo bairro confirma que a procura tanto por água quanto por cerveja está maior este ano, mas diz que não é apenas o serviço que ficou mais caro. Alguns ingredientes também.
— O preço da carne subiu. O xis fica mais caro também para quem vende — argumenta Tasca.
Helenaldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Estado (Abrasel-RS), faz coro ao discurso. De acordo com o dirigente, os comerciantes aproveitam o aumento da procura para recuperar as margens de ganho. Mas ressalta que os empresários também tiveram aumento de despesas.
— Com esse calorão a conta de luz também fica mais salgada — lembra.
No mês de março, quando o mundo fala sobre o Dia Internacional da Mulher, nós, do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre - Sindec POA, não queremos prestar homenagens. Queremos assumir responsabilidade.
O Sindec-POA expressa seu posicionamento em relação à decisão do Governo Federal de prorrogar por mais 90 dias a entrada em vigor da Portaria nº 3.665/2023, que regulamenta o trabalho em feriados no setor do comércio.
Embora a terça-feira de Carnaval não seja considerada feriado pela legislação, a Convenção Coletiva do Sindec estabelece que as empresas obedeçam às mesmas condições exigidas para trabalho em feriados; ou seja, proíbe o funcionamento com utilização de empregados sem que as mesmas tenham firmado Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Para garantir que somente as empresas regularizadas funcionem com mão de obra de comerciários no feriado de Nossa Senhora dos Navegantes (2), o Sindec-POA fará fiscalização.
As equipes do Sindec-POA seguem atuando presencialmente nos estabelecimentos comerciais até o dia 24 de dezembro, fiscalizando jornadas, escalas, folgas e condições de trabalho.
Ataques aos sindicatos são sempre inerentes à economia de mercado. É importante destacar que eles são mais intensos nos momentos de avanço do liberalismo e do neoliberalismo – pós-década de 1970 – impulsionados pela direita ou extrema direita, o que mostra a dimensão política desse movimento. Na história do Brasil, esse movimento se repetiu algumas vezes:
O Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre – Sindec-POA vem a público esclarecer informações equivocadas que têm circulado acerca do recente julgamento dos segundos embargos de declaração do Tema 935 do Supremo Tribunal Federal, concluído em 25/11/2025.
Após as enchentes que reduziram linhas e horários de ônibus, comerciários de Porto Alegre enfrentam ainda mais dificuldades para voltar para casa, sobretudo no fim de ano. O sindicato lançou um abaixo-assinado pedindo reforço no transporte público.