Sindec: 94 anos de união e lutas
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

Lideranças das centrais sindicais se reuniram com o governado do Estado, Tarso Genro, para apresentar oficialmente o índice de 18,7%, a partir de primeiro de janeiro de 2012, como pedido de reajuste para o piso regional. O encontro, dia 28/11, teve lugar no Palácio Piratini, sendo presenciado pelos secretários Carlos Pestana, da Casa Civil, e Marcelo Daneris, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
A proposta supera o aumento concedido ao salário mínimo (14,26%) e procura recuperar o poder de compra do piso como ocorreu em 2011, quando o governo gaúcho aprovou um reajuste de 11,6%, enquanto o mínimo subiu apenas 5,9%.
Luiz Carlos Barbosa, diretor da Força Sindical e tesoureiro do Sindec-POA, defendeu mais uma vez o estabelecimento de uma política permanente de desenvolvimento do piso regional, com base na reposição de 14% da perda e o reforço do reajuste de 18,7%. Para ele, "valorizar o piso regional é um modo de superar a crise e aquecer a economia", frisou.
O governador ressaltou que técnicos do Governo estão analisando os dados e que a proposta será encaminhada à Assembleia Legislativa nas próximas semanas. Porém, Tarso Genro deixou claro que antes da definição, voltará a discutir o tema com as entidades empresariais. "Nosso objetivo é, por meio do diálogo, propor um índice que aproxime os pedidos dos trabalhadores e das preocupações dos empresários. Precisamos partir da premissa que o aumento do piso regional, assim como aconteceu com a valorização do salário mínimo no Governo Lula, é um gerador de crescimento econômico e aquecimento do mercado de consumo. Assim, o Brasil enfrentou, e ainda enfrenta, de forma consistente os efeitos da crise global", afirmou Tarso.
Em nome das centrais, Celso Woyciechowski, presidente da CUT-RS, explicou as razões da pretendida valorização do salário mínimo regional.
Guiomar Vidor, da CTB-RS, destacou a atuação conjunta das centrais em busca de medidas concretas para a geração de emprego e renda.
Oniro Camilo, vice-presidente da Nova Central, aproveitou a ocasião para cobrar de Tarso a reunião da comissão tripartite sugerida por Dilma Rousseff, dia 14/10, quando de sua visita ao Estado, ouvindo do governador que voltará a lembrar a presidente do assunto.
ABAIXO DO MÍNIMO EM 2013
O coordenador do DIEESE gaúcho, Ricardo Franzoi, alertou para as conseqüências da desvalorização do piso, cuja data-base é no mês de maio. "caso não haja reajuste em 1º de janeiro, possivelmente a segunda faixa do piso fique abaixo do novo salário mínimo, que ficará em torno de R$ 622", comentou, chamando a atenção para a proposta das federações empresariais de reajustar o piso regional sigam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Franzoi ressaltou que assim será decretada a extinção do piso em janeiro de 2013, visto que o salário mínimo é recomposto pela aplicação do INPC, mais a média do crescimento econômico do país. "Quando o piso regional foi criado, no Governo Fernando Henrique Cardoso, o salário mínimo não era valorizado e foi transferida para os estados a responsabilidade de estabelecer uma política de piso salarial", explicou.
Ricardo Franzoi disse que como caíram por terra os argumentos de que o piso regional aumentaria a informalidade e a taxa de desemprego, os empresários a sustentar que a existência do piso se constitui em uma agressão à negociação coletiva, sem considerar o poder de barganha que varia conforme o porte da entidade sindical.
Atualmente as quatro faixas salariais variam entre R$ 610,00 e R$ 663,40, de acordo com a categoria profissional. Além dos debates coordenados pelo governador, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social discute o piso regional dentro de uma câmara temática específica sobre o tema.
Fonte: Ilha da Notícia
Há noventa e quatro anos, um grupo de trabalhadores decidiu que defender direitos não era uma tarefa individual. Era um compromisso coletivo.

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