O Senado Federal manchou a tradição democrática brasileira ao protagonizar o lamentável episódio da absolvição do presidente da Casa de acusações deixadas sem resposta. O cenário não podia ser pior: sessão secreta, truculência e troca de agressões. Comprometedor, o resultado também acoberta seis nomes, justamente o número de votos que faltaram para a condenação.
Como imaginar que, depois de anos de luta para reconquistar a democracia, reviveríamos o clima fechado da época da ditadura, sempre cercada de proibições e segredos? Como explicar ao mundo que o parlamento brasileiro precisa se fechar a sete chaves para votar sobre a conduta de um de seus membros, mesmo sendo ele o presidente do Congresso?
A culpa não é só de Renan Calheiros, mas dos coadjuvantes do cenário político brasileiro ? inclusive do eleitor, que ainda vota sem refletir sobre o presente e, sobretudo, sem considerar o passado dos candidatos. Que reforma política faremos com tantos nomes envolvidos em escândalos públicos e completa falta de decoro parlamentar?
Um parlamento que reúne mensaleiros, sanguessugas e vampiros não está credenciado para representar o ordeiro povo brasileiro, cansado de pagar as contas públicas com a pesada carga tributária, que consome boa parte ganha um assalariado.
Se é verdade que o senador Calheiros não está sozinho, também é certo que nesse regime haverá outros que pensam ser mais fortes que o Congresso Nacional e a própria democracia. Felizmente, o protagonismo do povo brasileiro tem sido mais forte do que estes personagens e capaz de visualizar outras direções, apesar de tudo.
Nilton Neco
Presidente do Sindec

A implementação de uma agenda de Trabalho Decente é um compromisso assumido pelo Governo brasileiro em 2003 com a OIT, em parceria com as organizações de empregadores e de trabalhadores. O Sindec foi pioneiro no país ao incluir no seu Acordo de Dissídio a promoção do Trabalho Decente.
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