A lei do álcool zero deu um empurrão nas vendas de bebidas alcoólicas nos supermercados gaúchos. Sondagem da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), feita na semana passada, indicou alta entre 5% e 10% na comercialização de itens como vinhos, espumantes e destilados em junho frente ao mesmo mês de 2007. A Agas ouviu as oito principais redes do Estado, responsáveis por 40% do faturamento do setor. O presidente da entidade, Antonio Longo, afirma que a mudança de comportamento, imposta pela legislação mais rigorosa, somou-se ao frio mais intenso, assegurando movimento maior.
Para Longo, o temor de ser flagrado com álcool acima do limite legal está fazendo as pessoas ficarem mais em casa. "O aumento reflete essa cautela e impulsiona o lazer em casa", avalia o dirigente. A entidade espera que o aumento se mantenha no ano, incluindo ampliação da área e estratégia de vendas dentro das lojas. "Os itens podem ganhar mais visibilidade", exemplifica o presidente da Agas. A estratégia é válida para aproveitar ao máximo a oportunidade de comercialização, ante o freio no consumo em restaurantes e bares. Já a margem de ganho, que é pequena, dificilmente aumentará, explica Longo. O segmento responde por 3% a 4% das vendas, e 10% do faturamento bruto das lojas.
Mas o rigor da legislação afetou em cheio promoções vinculadas aos produtos. Os supermercados observam resistência dos clientes nas degustações. Longo admite que a conjuntura é desfavorável e que alguns fornecedores já estão cancelando as ações. A oferta de transporte alternativo, como vans, não se ajusta ao perfil e aos hábitos dos consumidores, justitifica.
Restaurantes e bares se ajustam às restrições provocadas pelas novas regras
O consumo de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes da Capital nunca mais será o mesmo. A constatação é do presidente do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa), Daniel Antoniolli. Estabelecimentos oferecem cada vez mais alternativas para transporte e já verificam um cliente mais atento, que também busca soluções para não parar de beber ao freqüentar os locais. "Mesmo assim, é pouco provável que os níveis de consumo voltem ao que era", rende-se Antoniolli.
O dirigente ainda tem esperança de ver alterado o limite de alcoolemia para dirigir. Segundo Antoniolli, a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a qual o Sindpoa é filiado, deve ingressar nesta semana com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de derrubar a tolerância zero e abrandar as punições, como prisão mesmo que não haja atitude perigosa ou acidente provocado por motorista embriagado. "Queremos voltar ao limite anterior de alcoolemia, mas com o rigor da fiscalização de hoje", defende. Na sexta-feira, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Distrito Federal entrou com uma Adin no STF, com o mesmo objetivo.
O Sindpoa volta hoje a ouvir os estabelecimentos para dimensionar os efeitos da legislação no movimento do fim-de-semana. No primeiro levantamento, nos dias 28 e 29 de junho, o consumo médio caiu 36,84% nos 53 locais pesquisados, e o movimento recuou 30,13% em restaurantes e bares ou casas noturnas ouvidos.
Fonte: Jornal do Comércio

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